A Casa Museu
A Casa Museu Eva Klabin surge, em 1995, como um espaço de referência para a vida cultural carioca, ocupando o imóvel em que Eva residiu e onde ergueu um museu para abrigar e exibir ao mundo as peças que colecionou em sua vida, fruto de suas pesquisas, investigações e viagens.
Aberta a visitas gratuitas cinco dias por semana, sempre no período da tarde, a Casa Museu Eva Klabin apresenta ao público semanalmente atrações desenvolvidas pelo Núcleo de Educação e pela curadoria artística. Ao longo do ano, aqui ocorrem exposições de arte contemporânea em diálogo com o acervo permanente, oficinas de práticas artísticas e palestras. Assim, mantém vivo o acervo reunido por sua fundadora, em perspectiva com as discussões contemporâneas, na ação conjunta de seus setores.
Atualmente, um pilar das atividades da instituição é o Núcleo de Educação, responsável pelo principal contato entre a Casa Museu e o público, que ocorre nas visitas mediadas, oficinas de práticas artísticas, fóruns de discussão e ativações. No encontro entre nós e o público, o setor é responsável por criar uma abordagem que valorize as individualidades de cada visitante em diálogo com a história e os valores da instituição.
A Casa Museu abre suas portas para a diversidade de linguagem e abordagens estéticas da música contemporânea brasileira, com a realização das séries Pôr do Sol, Concertos e Concertinhos de Eva. Há dois curadores responsáveis pela elaboração da agenda, apresentando ao público concertos camerísticos e da canção popular.
Atualmente, há no acervo 2.963 obras que abrangem períodos e civilizações da história humana com ampla diversidade de origens. São peças vindas da Grécia, da China, dos Andes, do Egito e da Europa que abrangem desde a antiguidade clássica até o século XIX. Trata-se de um valioso acervo de arte que se destaca na América do Sul por sua singularidade.
Eva Klabin nasceu em São Paulo em 1903, sendo filha de Fanny e Hessel Klabin, um dos responsáveis pela fundação das indústrias de papel e celulose da família Klabin. Eva teve sua formação na Suíça, na Alemanha e nos Estados Unidos. Em 1933, casou-se com Paulo Rappaport, austríaco naturalizado brasileiro, com quem viveu até 1957, ano do falecimento de seu marido. O casal Paulo e Eva estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde Eva viveu até o final de sua vida.
As suas primeiras aquisições como colecionadora ocorreram ainda em sua adolescência, com duas pinturas do século XVII assinadas pelo paisagista holandês Glauber. Ao longo de sua vida, Eva se relacionou com colecionadores, antiquários e marchandes no Brasil e no exterior. Em viagens feitas a países da Europa, Ásia e Américas, nas quais passou por países como a China, a Tailândia, o Peru e a França.
A Casa
Comprada por Eva Klabin em 1952, a casa que abriga a Casa Museu data de 1931, sendo das primeiras residências da então recém-urbanizada Lagoa Rodrigo de Freitas. Suas dimensões eram modestas e seu estilo normando foi um modismo característico da época, bastante empregado nas casas “balneares” da cidade. Ainda em 1952, Eva e seu marido encomendaram um projeto ao arquiteto italiano Gaetano Minnucci, que apresentou soluções dentro do espírito clássico, com fachadas e interiores palacianos, porém a ideia de demolir a casa original para construir uma nova não foi levada adiante.
No início dos anos 60, já viúva, Eva Klabin decidiu empreender uma verdadeira revolução na casa original e, apesar de manter o estilo, fez uma grande reforma de ampliação adaptando-a para receber a coleção que crescia a cada dia. A reforma, entregue a uma conceituada firma de engenharia carioca, durou sete anos, período em que Eva instalou-se em seu apartamento na av. Atlântica, no Leme. Pessoa de gosto apurado e detalhista, a proprietária encomendou os mais finos materiais e cuidou de cada detalhe de acabamento, fazendo alterações ao longo da obra, até ficar tudo inteiramente de seu agrado.
De volta à casa da Lagoa, em 1967, tornou-se grande anfitriã e passou a se dedicar, ainda com maior entusiasmo, à coleção. A ideia de criar a instituição que perpetuaria a sua obra e guardaria a sua coleção a ser compartilhada com o público começa a amadurecer. Na década de 1980, cercou-se de profissionais que começaram a inventariar e pesquisar o acervo, tomou todas as medidas legais para a criação da casa museu e, ao falecer em 1991, deixou para as futuras gerações um bem incalculável.
Nascida do desejo da colecionadora de legar o precioso acervo reunido ao longo de toda uma vida à cidade do Rio de Janeiro, a Casa Museu foi criada em 1990, um ano antes do falecimento de sua idealizadora e instituidora e foi oficialmente aberta ao público pelo então ministro da Cultura, Francisco Weffort, em agosto de 1995.
